A Academia – Parte III

Desde o seu início, em 1973, o Curso de Turismo da ECA/USP firmou-se com identidade própria, pois inédito em seu conteúdo e conferidor de formação universitária e capacitação profissional. Foi ganhando renome nacional e conquistando espaço nos centros universitários do exterior, até que, em 1975, a EMBRATUR o credencia como coordenador da discussão com outros estabelecimentos de ensino superior para a integração nacional da estrutura curricular. Mais uma vez, fui designado pelo Diretor da ECA Prof. Dr. Manoel Dias Nunes para programar e coordenar evento para debate desse tema. O resultado desse conclave foi um verdadeiro divisor de águas. A Faculdade de Turismo Morumbi, a pioneira do país, permaneceu juntamente com outras IES isoladas e associadas em posição independente e separada, enquanto a maioria das Universidades públicas e particulares de outros estados, com as devidas adaptações à realidade de suas regiões, adotaram e seguiram o plano de estudos e projeto pedagógico da USP, que passaram com estas a celebrar convênios e intensos intercâmbios de cursos de extensão universitária e de pós-graduação lato sensu.

Entusiasmado com o sucesso e a repercussão do Curso de Turismo,e com os contatos científicos e acadêmicos que ele propiciava no país e em outros continentes, resolvi com vigor continuar os estudos de pós-graduação com a finalidade de aprimorar conhecimentos e técnicas de pesquisa, e de cumprir as etapas exigidas de titulação à carreira universitária. Apresentei então minha Dissertação de Mestrado à Escola Pós-Graduada de Ciências Sociais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, devendo ressaltar a orientação amiga e proficiente da socióloga Eva Maria Lakatos, do incentivo permanente e colaboração atuante dos Profs. Drs. Cândido Teobaldo de Souza Andrade e Sarah Chucid Da Viá.

No ano de 1983, o país desperta para a luta pela democracia e pelas “diretas já”. Não pude escapar à tentação de nela me engajar e participar ativamente do movimento, filiando-me na época ao PDT. Com a retomada da militância política, vi-me surpreso, dois anos depois, eleito seu Secretário Geral e, mais uma vez, não pude fugir ao apelo das urnas. Candidatei-me à Câmara dos Deputados e à Assembleia Nacional Constituinte em 1986, obtendo mais de setenta mil votos, ainda insuficientes para elevar-me à posição de representante dos interesses do povo de São Paulo. Retomando a para a vida acadêmica, dediquei-me em tempo integral durante o ano seguinte a preparar a Tese de Doutorado, e aqui quero render um tributo de homenagem ao meu orientador, Prof. Dr. Osvaldo Sangiorgi, que fora meu professor de matemática no ginásio e que ensinou e incentivou-me a gostar das ciências exatas e que, posteriormente, num brinde inesperado do destino, iniciou-me nos meandros infindáveis da cibernética.

Celebrando a conquista do título de Doutor em Ciências da Comunicação, eis que surge meu velho pai com um livro de presente, da autoria de Gabrielle D’Annunzio, portando a guisa de dedicatória uma confissão parodiando o título “Sogno Lontano”, onde revelava seu inatingido sonho de haver sido “Doutor pela USP”, embora docente convidado de Ciências Econômicas na Faculdade Álvares Penteado e na Faculdade de Economia São Luiz, não obstante da realidade concreta de ser “Doutor em Política”.

O ano de 1991 marca mais uma etapa da minha carreira acadêmica, com o concurso de Livre-docência. Esse trabalho, a que me dediquei com afinco, foi o resultado de uma plenitude de amadurecimento, não absoluta, mas a alcançada pelos estudos inéditos, pelas pesquisas de vanguarda e pelas reflexões da observação de fatos que efetuava, proporcionados todos pela minha docência em Turismo. E evoco 1975, o ano da realização do Primeiro Congresso Nacional de Turismo, do qual fui o idealizador, quando comecei uma fértil, rica e compensadora jornada de eventos nacionais e internacionais, ora como participante qualificado, ora como seu organizador, que me conduziu a todos os recantos do Brasil e aos cinco continentes do mundo.

Hoje, vejo-me em posição de haver aberto um caminho mundial para o ensino do Turismo no país, deixando conhecidos não só o meu nome, mas também o da ECA/USP, por meio da divulgação e reconhecimento de meus trabalhos na comunidade científica internacional de Turismo.

Isto fica constatado por ter sido Editor Associado da Annals of Tourism Research, Delegado no Brasil e Membro do Conselho Mundial da AMFORT – Associação Mundial para Formação Profissional em Turismo, Consultor da OMT – Organização Mundial de Turismo, e pertencer à Academia Internacional de Turismo e à AIEST – Associação Internacional de Experts em Turismo.