A Academia – Parte IV

Nos dias 1 e 2 de agosto de 1996, inscrito para o concurso de provimento de um cargo de Professor Titular do Departamento de Relações Públicas e Turismo – CRP – da ECA/USP, concorri com mais dois colegas, os Professores Doutores Beatriz Helena Gelas Lage e Américo Pellegrini Filho. Concluídas as provas de títulos, memorial e erudição, os três candidatos foram considerados aprovados, tendo a indicação atribuída pela Comissão Examinadora ao Professor Doutor Américo Pellegrini Filho. Cumpre destacar que, pelas normas da Universidade de São Paulo, o critério de indicação em escrutínio secreto independe da média final obtida pelos concursados. Este resultado surpreendeu-me.

Revigorado ainda mais, assumi esse desafio e dediquei-me com afinco às aulas, às pesquisas e à preparação para um novo concurso.

Minha expressão maior de produção científica e didática revela-se,finalmente, com a publicação do livro Análise Estrutural do Turismo em março de 1998 pela Editora SENAC, que consumiu, em sua preparação gráfica e editorial, todo o ano de 1997.

Na realidade, colegas e alunos questionavam-me muito o por quê da demora da publicação de uma obra que todos sabiam que há anos pesquisava. Isso não era bem verdade.

O texto básico já se encontrava pronto desde 1990 e aprovado pela Comissão Editorial da EDUSP que, no entanto, comunicou-me que sua publicação estaria sujeita a uma programação de longo prazo. Em 1993, convocou-me para informar que o texto deveria ser reduzido significativamente. Discordando dessa solução, retirei os originais, iniciando imediatamente contato com outras editoras. Aproveitei esse período para atualizar conceitos e ampliar o universo de instrumentos de pesquisa.

O livro, na verdade, foi escrito com um propósito direcional, o de proporcionar aos alunos e pesquisadores uma visão holística e integrada do turismo em abordagens multi e interdisciplinares.

Por ser o livro um referencial de consulta para todos os que estudam o turismo, desde seu lançamento tem despertado o interesse de vários centros de pesquisa e Universidades, que pedem a este autor cursos de extensão, de reciclagem e aperfeiçoamento de seus corpos docentes, conferências, palestras e artigos especializados.

O livro, pelas limitações de espaço, não pôde conter toda a dinâmica das mudanças e inovações que caracterizam este final de século.

Em 23 de novembro de 1998, inscrevi-me para um novo concurso de Professor Titular junto ao CRP da escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, em que fui aprovado, com prova pública oral e de erudição sobre o tema Política e Estratégia do Desenvolvimento Regional – Planejamento Integrado e Sustentável do Turismo. Na ocasião, foi utilizado o roteiro metodológico baseado na operacionalização e instrumentalização do SISTUR, de minha autoria, aplicável ao Projeto Costa Oeste, área denominada do entorno do Reservatório de Itaipu, do Parque Nacional do Iguaçu e das cidades de Foz do Iguaçu, Ciudad del Leste e Puerto Iguassu, que constituem a Tríplice Fronteira.

Esse modelo de pesquisa aplicado ao processo de planejamento integrado e sustentável do turismo, mais minha constante preocupação com a política de gestão estratégica, passam a marcar decisivamente a minha atuação acadêmica e de consultoria técnica governamental e empresarial.

Já no ano de 1999 iniciei, paulatinamente, estudo circunstanciado para identificar e ampliar a disponibilidade de instrumentos teóricos e conceituais, sempre inspirado no SISTUR, para atingir a síntese do processo dinâmico da cadeia produtiva do turismo, com sua distribuição e consumo de maneira articulada com sustentabilidade, qualidade e competitividade. Comecei, então, em minhas viagens internacionais, a observar o desenvolvimento dos aglomerados em distritos e regiões industriais, os chamados clusters, e suas estratégias competitivas.

Esse mesmo ano de 1999 assinala dois momentos importantes da minha carreira acadêmica. Meu ingresso como Professor Titular no Curso de Pós-graduação stricto sensu da Univali – Universidade do Vale do Itajaí, seguido, meses depois, pelo ingresso na mesma função na UCS – Universidade de Caxias do Sul.

Esse ano marca também recorde de vendas de meu livro Análise Estrutural do Turismo, que passa a ser adotado em todos os cursos superiores de turismo no país e, por decisão da SESu/MEC, 1999, torna-se obra de leitura obrigatória, bem como a retomada de palestras e conferências em ritmo crescente, no território nacional e no exterior.