2013 – Um novo percurso

Após cinco milênios de buscas, é hora de deixar para trás a expectativa de que devemos achar expressões finais sobre o mundo, sejam elas científicas ou religiosas. Não há dúvida de que nossa procura abriu novos domínios do conhecimento, revelando alguns dos segredos mais profundos da natureza. Ao sentirmos nossa exploração do universo, desenvolvendo extraordinariamente novos instrumentos e teorias aprenderemos cada vez mais.

Nosso primeiro antepassado era tão fascinado quanto somos hoje pelo mistério da criação. Nossos descendentes continuarão essa busca, tentando desvendar o sentido da existência. Somos, e seremos sempre, criaturas criadoras. Mas nosso foco precisa mudar. A ciência nos mostrou que a razão motivada pela paixão da descoberta, é o instrumento mais poderoso que temos para responder as nossas perguntas sobre as galáxias e nossas próprias inquietações. Considerando que nossas primeiras explicações do cosmos surgiram de imagem e narrativas míticas, não é surpreendente que a ciência carregue, nas suas raízes, a mesma expectativa mística de esclarecimentos finais sobre o mundo, sobre a nossa razão de ser.

A despeito de nossa necessidade de encontrar perfeição e simetria em tudo, o poder criativo da natureza vem de assimetrias e de imperfeições que se manifestam desde a dimensão agora, do bóson de Higgs ao universo como um todo. Buscamos por simetrias perfeitas, criamos equações para discuti-las, porém, vemos que as nossas soluções são apenas aproximações de uma realidade imperfeita. E assim deveria ser.

Assimetria gera desequilíbrio, desequilíbrio gera transformação, transformação gera realização, a emergência de estrutura. O Universo inteiro talvez tenha surgido de uma flutuação quântica que emergiu do multi universo uma entidade atemporal onde incontáveis possíveis universos coexistem.

Os cientistas tem afirmado que olhar para a vida significa olhar para as redes. Redes de componentes, redes de interdependências que caracterizam o nosso mundo biofísico e sócio cultural.

É também mediante o uso da linguagem, dos gestos, da comunicação das emoções, dos sentimentos que operamos de maneira sistêmica e relacional em todos os sentidos. Através da interatividade dos meios de comunicação é que realizamos a mediação com as pessoas e com o conhecimento e, a partir das ações desenvolvidas, é que organizamos as nossas relações com a sociedade.

Como temos lidado com isso? Em que medida temos pensado nessa sequência natural, mecânica, cotidiana e recursiva?

Talvez devêssemos prestar um pouco mais de atenção nessas redes de relacionamento identificando claramente nossas conformidades e assimetrias, principalmente àquelas responsáveis por nossas imperfeições que determinam instabilidades inconsequentes, com deliberadas omissões e não enfrentamento do ilícito, do vicioso. A passividade que muitas vezes, nos leva a conivência.

A incredulidade, conformismo e passividade que nos aproxima da nulidade. Ou a inconsequente agressividade sem foco ou ideologia nos braços da anarquia.

A crise de perda de sentido é cada vez mais devastadora, em todos os campos e, assim também na sociedade. A sensibilidade, está a cada momento mais saturada de notícias alarmistas, de criminalidade e incoercível corrupção.

A imaginação, pessoal e coletiva, também está farta de estereótipos, de imagens manipuladas, que matam os símbolos e a capacidade de representação simbólica num ritmo e numa expressão sem paralelo na história.

A própria razão não tem se recuperado das desfigurações produzidas pela racionalidade instrumental nem dos vários irracionalismos que proliferam em redes cujas malhas, urdem o caos.

É preciso, agora, reunir todas nossas energias assimétricas e simétricas alinhando-as num vetor conciliante, potencializando-o para uma verdadeira e grande fusão quântica imprescindível para permitir-nos o grande salto para a recriação como razão de ser no pertencimento cósmico.

Não libere mais energias desalinhadas, amorfas, e multidirecionais, agregue àquela que harmoniza, reúne e unidireciona: a energia crística.

Neste Natal convido seu coração mente e espírito a compartilhar da recriação total de um super novo Ser em 2014. Rejeite a vaidade, o egocentrismo, a falsidade e abrace o mundo.

Compartilhar